Cineclube do CES exibe ciclo especial sobre um dos momentos mais importantes da história contemporânea
Pode não ter mudado o mundo. Mas as movimentações ocorridas em Paris durante maio de 1968 mudaram, certamente, a forma como olhamos e pensamos o mundo em que vivemos. Da política à filosofia, da educação à cultura, o tão atribulado século XX divide-se certamente entre o antes e o depois de Maio de 68.
E o cinema não era apenas reflexo do que se passou em 68. Durante o ano, para além dos cineastas e seus filmes terem sido protagonistas das lutas deste período, muitas das obras produzidas na época, sob o furor do ideário francês, ainda hoje são fundamentais para entendermos a ruptura pela qual a História passou depois desse ano. Em 1967, outras películas apresentavam-nos um mundo em ponto-de-bala, onde a única saída para o ocaso de situações revolucionárias era criar a sua própria situação revolucionária. Só fazer o que manda o seu coração.
Daí nos surgiu a idéia, agora que arredondam 40 anos das movimentações de maio de 68, de fazermos, no CES, uma pequena seleção de filmes que consideramos emblemáticos – filmados ou não em 68, na França, ou que tratem ou não sobre os acontecimentos deste mês – sob o nome de “CICLO ESPECIAL MAIO DE 68 – SÓ FAZ O QUE MANDA O SEU CORAÇÃO“. Ao longo de quatro sábados, exibiremos quatro filmes que carregam em si o espírito, a história, o desejo e a angústia dos estudantes e trabalhadores que pararam a França em 1968. Assisti-los, reencontrar estes filmes é sentir o enorme frescor daquele período.
Todas as sessões começam às 17h e custam r$2. O CES fica na Avenida Ana Costa, número 308, próximo ao Extra.
CICLO ESPECIAL MAIO DE 68 – SÓ FAZ O QUE MANDA O SEU CORAÇÃO
DIA 3 DE MAIO
“TERRA EM TRANSE” é uma espécie de meta-síntese do que podemos considerar como o espírito e as contradições que fizeram de 68, 68. Filmado em 1967 por Glauber Rocha, a obra é considerada o manifesto poético-político do autor. Algo surrealista, onde elementos documentais e mitológicos são subvertidos por uma estética lírica e cinematográfica delirantes – e que guardavam em si a ânsia pela transformação das coisas. A terra em transe e cinema de cabeça pra baixo. “Não fazer filmes políticos, mas politizar os filmes”, como disse Godard, é é o lema do
DIA 10 DE MAIO
O segundo filme do ciclo com “AMANTES CONSTANTES“. A obra é, verdadeiramente, uma reflexão posterior dos acontecimentos de maio de 68. Lançado em 2005, o filme mergulha nas entranhas do movimento, mas, ao invés dos fatos políticos, opta por analisar o período pela via do amor, da poesia e do ópio. A história relata o encontro entre dois estudantes que, em meio às barricadas do maio de 68, iniciam uma relação emblemática dos desdobramentos provocados pela inquietação, após o retorno à “normalidade”. O diretor do filme, Phillipe Garrel, tinha 20 anos em 68, era um jovem cineasta e grande entusiasta do movimento.
DIA 17 DE MAIO
“A CHINESA“, de Jean-Luc Godard, é um dos seus filmes mais esquisitos. Um retrato, em pinceladas da pop-art, do novo movimento de esquerda da França, um ano antes dos eventos do Maio de 68. Segundo ele próprio escreveu, “após dez anos, entre as mudanças que se produziram no mundo, a mais importante é, sem dúvida, a oposição do Partido Comunista chinês e o Partido Comunista da União Soviética. Este filme descreve a aventura interior de um grupo de jovens, no verão parisiense de 1967, e os métodos teórico-práticos em nome dos quais Mao Tsé-Tung rompeu com o ‘aburguesamento’ dos dirigentes da União Soviética e dos principais partidos comunistas ocidentais”. Esta ruptura influenciaria também o desaguamento de maio de 68.
DIA 24 DE MAIO
“SE…“, do inglês Lindsay Anderson, relata o dia-a-dia opressivo de quatro rapazes, alunos de um internato britânico tradicionalista, adepto de uma pedagogia autoritária e repressora.
Inconformados, os jovens se unem e decidem promover uma… revolução armada dentro da escola. A construção do filme éa coisa mais maluca possível. é do caralho. fico arrepiado só de escrever sobre ele. Filmado em 1968, é um belo registro das tensões, ansiedades e aspirações da juventude neste período rebelde.
DIA 31 DE MAIO
“PARTNER”, de Bernardo Bertolucci


Bacana, bacana, contem comigo para a divulgação…
Não só de cineclube se faz a vida… bonito.
O processo de formação da consciência política com certeza passa por um cineclube ;)
abração.