Breves textinhos com vídeos e fotos sobre a Jornada de luta contra as transnacionais (dia 10 à 13 de julho) e a participação do CES nos atos. Aí vai:
ATO CONTRA A VALE
Na última quinta-feira, cerca de 500 trabalhadores rurais da Via Campesina e outras organizações fizeram um ato na sede da Companhia Vale do Rio Doce, no Rio de Janeiro. A ação faz parte do calendário da Jornada de Luta Contra as Transnacionais e foi realizada para denunciar os prejuízos causados pela empresa – que, por onde passa, deixa rastros de miséria e destruição para as mulheres e os homens e para o meio ambiente.
O CES participou dos protestos, por entender que esta ação é uma continuidade do Plebiscito pela re-estatização da Vale do Rio Doce e por solidariedade aos povos que sofrem diretamente o jugo do comportamento predatório de grandes empresas como a Vale.
RECORDANDO UM POUCO SOBRE A VALE
A Vale é responsável pela expulsão de milhares de famílias de suas casas em diversos estados do país. A Vale é responsável pela construção de barragens que espoliam comunidades inteiras de suas locais de moradia e trabalho. A Vale é responsável por problemas respiratórios de famílias que vivem em seu entorno. A Vale é campeã de multas no IBAMA – e de dar calote nelas. A Vale é responsável por crimes ambientais como uso de carvão de floresta nativa, incêndios em área de preservação, lançamento de dejetos sem tratamento e utilização de recursos poluidores. A Vale precariza o trabalho e viola uma série de direitos trabalhistas.
Já o governo, desde que privatizou a Vale, é uma das maiores mineradoras do mundo, garante muitos benefícios à empresa. A Vale tem isenção fiscal de impostos. A Vale tira grana do BNDES.
Foi por estas razões – e por acreditar que a Vale é uma empresa fundamental para o desenvolvimento nacional – que nós fomos ao Rio de Janeiro na última quinta-feira defender a re-estatização da Companhia.
A JORNADA DE LUTAS
Além do ato no Rio de Janeiro, entre os dias 10 e 13 de junho foram realizados protestos em mais 12 estados, entre ocupações, bloqueios de estradas e ferrovias e manifestações.
A idéia central da Jornada era jogar luz às contradições sociais, econômicas, culturais e ambientais geradas pela ação perniciosa das transnacionais no território brasileiro. Para os organizadores, os protestos ajudam a desmistificar a ilusão de que grandes projetos (como a construção de hidrelétricas) trazem desenvolvimento para o país. A Jornada de Luta coloca em destaque o debate sobre a disputa de modelo de sociedade que existe e o modelo que queremos.
LUTA CONTRA A HIDRELÉTRICA NO VALE DO RIBEIRA
Militantes ocupam a Votorantim em SP e são duramente reprimidos pela PM
Entre as diversas manifestações ocorridas durante a Jornada, é importante destacarmos a ocupação do escritório da Votorantim, no Centro de São Paulo. Cerca de 300 militantes da Via Campesina, MST, Educafro, Marcha Mundial de Mulheres, MTST, MOAB e movimento estudantil entraram no andar térreo do prédio e, por meia hora, gritaram palavras de ordem e leram, em voz alta, denúncias contra a transnacional brasileira.
A Votorantim, uma das maiores empresas nacionais (pertencente a Antônio Ermírio de Moraes, um dos homens mais ricos do mundo), pretende contruir uma barragem no Tijuco Alto, na região do Vale do Ribeira, para atender às demandas energéticas de suas fábricas de alumínio (A “CBA”, Companhia Brasileira de Alumínio).
Para quem participou dos cursos do “13 de maio” realizados pelo CES, fica fácil entender este tipo de movimentação. Na perspectiva do capital, a Votorantim está tentando garantir a propriedade também da matéria-prima necessária para a sua produção. Para isso, não abre mão de tomar de assalto, sob quaisquer meios, os territórios necessários para isso.
A população do Vale Ribeira resiste, há cerca de 20 anos, contra a construção da Usina Hidroelétrica de Tijuco Alto no Rio Ribeira de Iguape. Este rio nasce no Estado do Paraná e desemboca no estado de São Paulo. Recentemente, o IBAMA divulgou um parecer técnico favorável ao empreendimento, o que indignou os moradores do Vale que vêem no Ribeira muito mais do que um simples rio ou uma fonte inesgotável de recursos, mas sim equilíbrio ambiental e uma identidade cultural para a região. Além disto, suas populações riberinhas, quilombolas, indígenas e caiçaras têm outra visão e outra pratica de desenvolvimento, que não é aquele a qualquer custo, mas aquele em direção a sustentabilidade ecológica.
A indignação das comunidades, aliadas ao conhecimento de que é possível um outro desenvolvimento, resultou numa ocupação pacífica, porém histórica, da Superintendência do IBAMA em São Paulo, em 12 de março de 2008, e agora a ocupação do Prédio da Votorantim Energia.
A ocupação durou pouco tempo. Em 30 minutos, a polícia entrou com violência no prédio, usando bombas de gás, soltando tiros para o alto e distribuindo pancadas (veja vídeo acima).
Destacamos especialmente as movimentações contra a hidrelétrica do Tijuco Alto não só pela importância desta luta, mas pela proximidade geográfica que coloca o CES e os estudantes da Baixada das comunidades do Vale do Ribeira. Por isso, programamos para o dia 6 de julho um vídeo-debate sobre o tema, e também estamos tentando organizar uma visita à região em julho. Isso envolve a idéia de organizarmos uma FRENTE DE APOIO AO VALE DO RIBEIRA.


olha o moe, fazendo um vento!!! ou é o ator do querô?
é isso ai molecada do CES, aliança operária-estudantil-camponesa na PRÁTICA!!!!