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Compartilhamos e recomendamos este vídeo com breve análise do momento político que vivemos.

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“Em la lucha de classes

todas las armas son buenas

piedras

noches

y poemas”

Leminski

As recentes manifestações contra o aumento da tarifa que ocorreram em todo o país, podem e devem ser vistas para além de sua pauta imediata. Somada a greve dos professores municipais e estaduais, as diversas marchas (das vadias, da maconha, etc), que tiveram adesão excepcional dos trabalhadores ainda que sem identidade de classe (pois é no próprio movimento de luta que esta se conforma), os atos pela redução do preço da passagem, têm sido expressão de uma revolta.

Nesse sentido, o MPL (Movimento Passe Livre), é uma organização nacional que canaliza e expressa as inquietações e angustias, que repousavam guardadas no seio da juventude e do conjunto dos trabalhadores que foram as ruas e se solidarizaram com este movimento.

Durante uma década de governo do PT, o Estado brasileiro lançou mão de um projeto social democrata, que longe de assemelhar-se a sua expressão europeia, e na verdade uma versão brasileira Herbert Richers, que é verdades com seus panfletários investimentos sociais, apassivou as contradições fazendo com que a maior parte da população faça três refeições ao dia, uma parcela consuma tênis e celular e outra ainda consuma carro mil, em duzentas parcelas. Porém, ao mesmo tempo, levou ao aumento da fortuna dos ricos brasileiros que fez com que o Brasil ficasse entre os dez maiores consumidores de artigos de luxo, destaca-se no consumo de Iates de luxo (como se houvesse Iate sem luxo), jatos particulares e helicópteros. São Paulo é a segunda cidade do mundo com maior número de helicópteros, perdendo apenas para Nova York.

protesto-brasil

Ao passo que a miséria absoluta (fome) foi reduzida. No mesmo período, as violências aumentaram, massacre dos pretos e pobres por policiais e milícias (policiais) nas grandes cidades, sobretudo São Paulo, massacre dos índios em todo o Pais, sobretudo no Mato Grosso do Sul, retirada de direitos dos trabalhadores em todo o país, desmonte da universidade publica com sucateamento das estruturas e desmantelamento das condições de trabalho, do SUS via parcerias-publico-privadas jogando de vez a saúde nas mãos da iniciativa privada.

As desigualdades apenas aumentaram, com os trabalhadores dispersos e seus antigos instrumentos de luta (CUT, PT e outros) a serviço da burguesia, a angustia com as injustiças foram acumulando-se em um cenário onde não conseguiam expressar-se.

Assim como a praça Taksim na Turquia, o movimento de luta contra  o aumento  da passagem, que não é novo nem em São Paulo nem nas demais cidades do país, é apenas o catalizador desta insatisfação, ou seja, a bandeira que encontrou o momento e as condições de revolta necessárias para a sua proliferação. Neste sentido a luta contra o aumento não se difere da luta contra o massacre indígena, da luta contra a retirada de direitos dos trabalhadores, da luta contra o sucateamento e/ou privatização da saúde e educação, ou ainda da luta contra a violência policial. Este cenário aponta, portanto, não mais que um profunda insatisfação para com a realidade do país, podendo ainda sinalizar o anunciado de um novo período de grandes lutas e enfrentamentos contra a ordem do capital e suas expressões diversas.

A luta pelo passe livre tem uma pauta econômica, isso é, uma pauta clara e viável. Entretanto, como dizia Rosa Luxemburgo “Toda luta inicia-se por luta econômica, e no seu decorrer, se transforma ou não em luta política”. E neste caso as manifestações somadas a reação do Estado, começam a dar sinal de possível superação de seu caráter inicial. Um sentimento de insatisfação e revolta que transcende a própria bandeira, ou seja, que não se resolve apenas com a redução da passagem.

Trabalhadores e estudantes se encontram nas ruas, e como a muito não faziam, reconhecem-se uns nos outros e tem identidade, como se lessem juntos um velho poema que diz…

“só quando transgrido alguma ordem o futuro se torna respirável”

 

texto de Fabio Francisco (Massari)

Campanha de arrecadação de materiais para revotalização da sede

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Imagem

 

O CES participando e refletindo sobre as últimas manifestações ocorridas na baixada santista  que tiveram como estopim o aumento das tarifas de ônibus.

Sugere a leitura deste breve texto de Slavoj Zizek

Slavoj Žižek visitou a Liberty Plaza, em Nova Iorque, para falar ao acampamento de manifestantes do movimento Occupy Wall Street (Ocupe Wall Street)

***

Não se apaixonem por si mesmos, nem pelo momento agradável que estamos tendo aqui. Carnavais custam muito pouco – o verdadeiro teste de seu valor é o que permanece no dia seguinte, ou a maneira como nossa vida normal e cotidiana será modificada. Apaixone-se pelo trabalho duro e paciente – somos o início, não o fim. Nossa mensagem básica é: o tabu já foi rompido, não vivemos no melhor mundo possível, temos a permissão e a obrigação de pensar em alternativas. Há um longo caminho pela frente, e em pouco tempo teremos de enfrentar questões realmente difíceis – questões não sobre aquilo que não queremos, mas sobre aquilo que QUEREMOS. Qual organização social pode substituir o capitalismo vigente? De quais tipos de líderes nós precisamos? As alternativas do século XX obviamente não servem.

Então não culpe o povo e suas atitudes: o problema não é a corrupção ou a ganância, mas o sistema que nos incita a sermos corruptos. A solução não é o lema “Main Street, not Wall Street”, mas sim mudar o sistema em que a Main Street não funciona sem o Wall Street. Tenham cuidado não só com os inimigos, mas também com falsos amigos que fingem nos apoiar e já fazem de tudo para diluir nosso protesto. Da mesma maneira que compramos café sem cafeína, cerveja sem álcool e sorvete sem gordura, eles tentarão transformar isto aqui em um protesto moral inofensivo. Mas a razão de estarmos reunidos é o fato de já termos tido o bastante de um mundo onde reciclar latas de Coca-Cola, dar alguns dólares para a caridade ou comprar um cappuccino da Starbucks que tem 1% da renda revertida para problemas do Terceiro Mundo é o suficiente para nos fazer sentir bem. Depois de terceirizar o trabalho, depois de terceirizar a tortura, depois que as agências matrimoniais começaram a terceirizar até nossos encontros, é que percebemos que, há muito tempo, também permitimos que nossos engajamentos políticos sejam terceirizados – mas agora nós os queremos de volta.

Dirão que somos “não americanos”. Mas quando fundamentalistas conservadores nos disserem que os Estados Unidos são uma nação cristã, lembrem-se do que é o Cristianismo: o Espírito Santo, a comunidade livre e igualitária de fiéis unidos pelo amor. Nós, aqui, somos o Espírito Santo, enquanto em Wall Street eles são pagãos que adoram falsos ídolos.

Dirão que somos violentos, que nossa linguagem é violenta, referindo-se à ocupação e assim por diante. Sim, somos violentos, mas somente no mesmo sentido em que Mahatma Gandhi foi violento. Somos violentos porque queremos dar um basta no modo como as coisas andam – mas o que significa essa violência puramente simbólica quando comparada à violência necessária para sustentar o funcionamento constante do sistema capitalista global?

Seremos chamados de perdedores – mas os verdadeiros perdedores não estariam lá em Wall Street, os que se safaram com a ajuda de centenas de bilhões do nosso dinheiro? Vocês são chamados de socialistas, mas nos Estados Unidos já existe o socialismo para os ricos. Eles dirão que vocês não respeitam a propriedade privada, mas as especulações de Wall Street que levaram à queda de 2008 foram mais responsáveis pela extinção de propriedades privadas obtidas a duras penas do que se estivéssemos destruindo-as agora, dia e noite – pense nas centenas de casas hipotecadas…

Nós não somos comunistas, se o comunismo significa o sistema que merecidamente entrou em colapso em 1990 – e lembrem-se de que os comunistas que ainda detêm o poder atualmente governam o mais implacável dos capitalismos (na China). O sucesso do capitalismo chinês liderado pelo comunismo é um sinal abominável de que o casamento entre o capitalismo e a democracia está próximo do divórcio. Nós somos comunistas em um sentido apenas: nós nos importamos com os bens comuns – os da natureza, do conhecimento – que estão ameaçados pelo sistema.

Eles dirão que vocês estão sonhando, mas os verdadeiros sonhadores são os que pensam que as coisas podem continuar sendo o que são por um tempo indefinido, assim como ocorre com as mudanças cosméticas. Nós não estamos sonhando; nós acordamos de um sonho que está se transformando em pesadelo. Não estamos destruindo nada; somos apenas testemunhas de como o sistema está gradualmente destruindo a si próprio. Todos nós conhecemos a cena clássica dos desenhos animados: o gato chega à beira do precipício e continua caminhando, ignorando o fato de que não há chão sob suas patas; ele só começa a cair quando olha para baixo e vê o abismo. O que estamos fazendo é simplesmente levar os que estão no poder a olhar para baixo…

Então, a mudança é realmente possível? Hoje, o possível e o impossível são dispostos de maneira estranha. Nos domínios da liberdade pessoal e da tecnologia científica, o impossível está se tornando cada vez mais possível (ou pelo menos é o que nos dizem): “nada é impossível”, podemos ter sexo em suas mais perversas variações; arquivos inteiros de músicas, filmes e seriados de TV estão disponíveis para download; a viagem espacial está à venda para quem tiver dinheiro; podemos melhorar nossas habilidades físicas e psíquicas por meio de intervenções no genoma, e até mesmo realizar o sonho tecnognóstico de atingir a imortalidade transformando nossa identidade em um programa de computador. Por outro lado, no domínio das relações econômicas e sociais, somos bombardeados o tempo todo por um discurso do “você não pode” se envolver em atos políticos coletivos (que necessariamente terminam no terror totalitário), ou aderir ao antigo Estado de bem-estar social (ele nos transforma em não competitivos e leva à crise econômica), ou se isolar do mercado global etc. Quando medidas de austeridade são impostas, dizem-nos repetidas vezes que se trata apenas do que tem de ser feito. Quem sabe não chegou a hora de inverter as coordenadas do que é possível e impossível? Quem sabe não podemos ter mais solidariedade e assistência médica, já que não somos imortais?

Em meados de abril de 2011, a mídia revelou que o governo chinês havia proibido a exibição, em cinemas e na TV, de filmes que falassem de viagens no tempo e histórias paralelas, argumentando que elas trazem frivolidade para questões históricas sérias – até mesmo a fuga fictícia para uma realidade alternativa é considerada perigosa demais. Nós, do mundo Ocidental liberal, não precisamos de uma proibição tão explícita: a ideologia exerce poder material suficiente para evitar que narrativas históricas alternativas sejam interpretadas com o mínimo de seriedade. Para nós é fácil imaginar o fim do mundo – vide os inúmeros filmes apocalípticos –, mas não o fim do capitalismo.

Em uma velha piada da antiga República Democrática Alemã, um trabalhador alemão consegue um emprego na Sibéria; sabendo que todas as suas correspondências serão lidas pelos censores, ele diz para os amigos: “Vamos combinar um código: se vocês receberem uma carta minha escrita com tinta azul, ela é verdadeira; se a tinta for vermelha, é falsa”. Depois de um mês, os amigos receberam a primeira carta, escrita em azul: “Tudo é uma maravilha por aqui: os estoques estão cheios, a comida é abundante, os apartamentos são amplos e aquecidos, os cinemas exibem filmes ocidentais, há mulheres lindas prontas para um romance – a única coisa que não temos é tinta vermelha.” E essa situação, não é a mesma que vivemos até hoje? Temos toda a liberdade que desejamos – a única coisa que falta é a “tinta vermelha”: nós nos “sentimos livres” porque somos desprovidos da linguagem para articular nossa falta de liberdade. O que a falta de tinta vermelha significa é que, hoje, todos os principais termos que usamos para designar o conflito atual – “guerra ao terror”, “democracia e liberdade”, “direitos humanos” etc. etc. – são termos FALSOS que mistificam nossa percepção da situação em vez de permitir que pensemos nela. Você, que está aqui presente, está dando a todos nós tinta vermelha.

 

 

Noite do Vinil na sexta-feita!