Pela primeira vez, desde a ditadura militar, um governador do estado desconsidera a eleição feita pela comunidade acadêmica de uma universidade estadual e não escolhe o mais votado para reitor da Instituição.
O primeiro colocado nas eleições, o cientista Glaucius Oliva, era o preferido da atual reitora, Suely Vilela, mas o diretor da faculdade de direito, João Grandino Rodas, é o mais alinhado aos interesses do governador Serra.

João Grandino Rodas
Rodas se destacou na época seguinte da Ocupação da Reitoria de 2007 quando agiu de forma truculenta, ao estilo José Serra, enquanto a reitora da USP não conseguiu evitar uma ocupação de 50 dias que acabou com um recuo do governo e, consequente, vitória do movimento.
Na ocasião, em agosto de 2007, movimentos sociais como a Educafro e o MSU promoviam uma jornada de luta pela educação pública e o ato havia sido acordado com o diretor Rodas de forma que ele ocorresse durante a noite e terminasse no dia seguinte, sem prejuízo às aulas. O evento transcorria tranquilamente, inclusive com uma apresentação do cantor Tom Zé.
No entanto, os PMs chegaram com arma em punho por volta das 3 horas e, sem qualquer diálogo ou tentativa de negociação, expulsaram os estudantes que dormiam no local. Os manifestantes foram levados em quatro ônibus para a delegacia na Sé onde foram fichados. Alguns ativistas foram agredidos no momento da invasão policial.
A ação ocorreu com o pedido e autorização do diretor Rodas. A desocupação ocorreu sem mandado judicial e contou com a presença do próprio secretário de Segurança Pública, Ronaldo Marzagão e o secretário de Justiça, Luiz Antonio Marrey, mostrando que a violência contra os estudantes foi uma ação política do governador José Serra para marcar uma posição de intransigência com qualquer manifestação pública coletiva.

Protesto contra a repressão policial a mando de Grandino Rodas
A decisão polêmica do governador vem em meio a diversos protestos contra a falta de democracia dentro da instituição e de resistência aos ataques do Serra contra a autonomia da universidade que vem desde os decretos que foram barrados pela resistência de 2007. Em um universo de mais de 80 mil, a eleição da lista tríplice se dá por cerca de 320 pessoas o que acaba fazendo com que o poder da USP fique concentrado em uma pequena quantidade de professores titulares.
Diante disso as eleições se deram em meio a manifestações que a direção covarde da USP não enfrentou e preferiu transferir a eleição, pela primeira vez desde a criação da Universidade, para fora das suas dependências.
Mesmo assim, cerca de 500 manifestantes foram ao Memorial da América Latina, local escolhido para a realização do pleito, pedirem a democratização do processo eleitoral com faixas, placas e fogos de artifício.
A manifestação demonstrou certo prestígio da escolha feita, bem ou mal, autonomamente pela universidade. Porém, essa eleição não teve nenhum valor prático já que o governador Serra, mais uma vez, demonstrou sua veia totalitária e impôs seu candidato guela abaixo da comunidade universitária, principalmente dos estudantes.