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No dia 11 de Dezembro de 2008 o “ocupômetro” marcava 14 dias. Desde o dia 27 do mês anterior cerca de 50 estudantes permaneciam no local em protesto ao aumento das mensalidades.
A Reitoria e a Igreja Católica, mais uma vez, mostraram o quanto o discurso que repetem nas missas não condiz com seu comportamento moral. Durante toda a mobilização contra o aumento que começou antes da ocupação, a universidade não negociou, nas duas únicas reuniões eles apenas nos ameaçaram, deixaram claro que não se envergonhariam de mandar a polícia agredir os estudantes.
Foda-se todo o simbolismo do Natal que estava próximo, o direito à propriedade e o lucro da igreja católica se sobrepõe a qualquer valor cristão original.
Este foi apenas um dos confrontos entre estudantes e a polícia que ocorreram nos últimos anos: Seis universidades foram invadidas pelas forças políciais: Fundação Santo André, PUC-SP, Unifesp, Unesp Araraquara a USP, na última greve.
As universidades formaram focos de resistência contra a ditadura e muitos estudantes morreram heroicamente nessa luta, desde então esse espaço ficou, de certa forma, imune à atuação da polícia devido a imagem que a farda simbolizara nos anos de chumbo. Desta forma o maior retrocesso desses últimos acontecimentos não foi a intransigência do governo ou dos empresários da educação, pois isso já era de se esperar. O pior foi a indiferença da “opinião pública”, o que demonstra que a memória está se apagando e o repúdio à repressão está cada vez menos presente nas atitudes das pessoas e, por consequência, nos textos das leis.
Mas o CES não esquece, e após 11 meses da ocupação, apresentamos mais esse vídeo:
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Os assuntos são relacionados à história, especificamente sobre o Imperialismo e as Revoltas na América Latina.
O primeiro filme: “Sob Fogo Cerrado”, aborda a Revolução Sandinista da Nicarágua (1979) a partir da visão de 3 jornalistas. O filme é um romance que inclui um triângulo amoroso entre os 3 personagens, porém não deixa de abordar o momento histórico com a devida intensidade.
Naquele conflito morreram vários jornalistas, mas só ganhou a devida repercussão internacional quando um dos mortos foi um norte-americano, de nome Bill Stewart, que trabalhava na rede ABC. Sua execução, promovida pela guarda nacional, foi filmada e transmitida ao mundo.
Além desse incrível episódio que foi a Revolução Sandinista, o filme fomenta uma boa discussão sobre ética jornalística vs ética revolucionária e também sobre o pós-revolução (O que a esquerda revolucionária é capaz de fazer após tomar o poder?).
A discussão tem como convidado o professor de história contemporânea e jornalismo da Unisantos/Unisanta Marcus Vinícius Baptista.
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Um sarau é um evento cultural realizado geralmente em casa particular onde as pessoas se encontram para se expressarem ou se manifestarem artisticamente.
Podem envolver dança, poesia, leitura de livros, música acústica e também outras formas de arte como pintura e teatro.
Evento bastante comum no Brasil Imperial, ocorria tanto na alta corte como também nas casas das famílias de baixa renda. Através dos saraus a música brasileira ganhou identidade própria e sintetizou ritmos diversos no Samba e nas Marchas que eram tocados por grupos de “chorões”, conjuntos compostos por flauta, violão e cavaquinho.
Geralmente ocorrem de tarde ou no início da noite, apresentando concertos musicais, serestas, cantos, recitações de poemas e performances artísticas diversas. Vem ganhando popularidade no meio estudantil, promovido, geralmente por grêmios e centros acadêmicos.
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Um debate sobre o modelo de educação…
Quarta, 14/10, às 18h30 na UNIFESP – Campus Santos
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Por Fábio Soares Pinto
Estudante de História – Unisantos
Acordava na manhã da terça-feira e a TV estava ligada, o canal era o Futura, pertencente à Globo. O programa era um desses documentários educativos, com uma linguagem meio “Telecurso 2000”, falava sobre a “questão agrária”, sem grandes inovações, criticava veementemente o histórico latifúndio brasileiro.
Pelo assunto não representar, para mim, grande novidade, troquei de canal para ver as notícias da manhã, no caso, as divulgadas pelo “Bom Dia Brasil”, do canal Mãe do mesmo grupo que o Futura faz parte.
Eis que vejo pela primeira vez as “horrorizantes” imagens do MST passando com um trator por cima dos laranjais.
O latifúndio criticado pelo canal anterior eram as grandes fazendas de cana-de-açúcar instituídos desde o inicio da colonização do Brasil. Estes eram produtivos, mesmo assim, hoje, são objetos de crítica. As fazendas de laranja da Cutrale também são latifúndios produtivos, mas, não são criticados.
Nota-se então que é fácil para eles criticar algo que está lá no passado colonial e muito difícil enxergar o mesma coisa quando existem interesses econômicos maiores.
Qualquer latifúndio é ruim, não adianta chamá-lo de agro negócio, mudar o nome não o torna bom, no máximo engana. Tal sistema é notoriamente contra-desenvolvimentista, as regiões e países que basearam suas economias nesse tipo de produção hoje se encontram entre os mais pobres.
Os laranjais da Cutrale só possuem uma diferença em relação às tão criticados latifúndios do passado, a espécie da planta cultivada. Naqueles exercícios triviais da matemática que resolvemos nos nossos primeiros anos escolares, tanto faz se os objetos do problema são laranja ou bananas, o resultado é o mesmo. Nos problemas sociais e econômicos idem, o resultado é o atraso, a exploração e a pobreza.
A Cutrale possui latifúndios de laranjas que não se tornam alimentos para a população, nem sobremesa, pois, quase a totalidade da sua produção é exportada.
Bem antes da chegada do MST, aquelas terras que estavam destinadas à colonização de imigrantes italianos, foi invadida por madeireiros que as desmataram, grilaram e venderam a empresas como a Cutrale.
A radicalização das lutas no campo
Seria certo eu defender a “justiça com as próprias mãos” promovidas pelo MST? Não sei, porém, cabe a mim compreender o processo ao analisar seu histórico.
Esse processo de grilagem começou há 90 anos e o próprio governo federal, através do INCRA, há 15 anos reivindica na justiça a devolução dessas terras à união. A justiça local, bastante suscetível aos interesses econômicos dessas grandes empresas, para evitar julgar o mérito da questão, preferiu determinar que o INCRA não teria competência para interpor esta ação, desta forma conseguiu protelar a decisão que ainda está em aberto.
Portanto, diante de tanta incapacidade da justiça em resolver essas questões agrárias, não é de me estranhar que os movimento sociais radicalizem.
De qualquer forma, a questão não pode se limitar à discussão judicial, a questão não é se a terra é produtiva ou não, mas sim de que forma ela serve ao povo, pois, esta propriedade privada é inevitavelmente um roubo, já que todas elas só ganharam um dono quando o primeiro a invadiu, colocou uma cerca e se proclamou proprietário.
Diante da dura realidade, a radicalização é a única opção do trabalhador ao destino que fora narrado por Chico Buarque e João Cabral de Melo Neto:
Funeral de um Lavrador
Esta cova em que estás com palmos medida
É a conta menor que tiraste em vida
É de bom tamanho nem largo nem fundo
É a parte que te cabe deste latifúndio
Não é cova grande, é cova medida
É a terra que querias ver dividida
É uma cova grande pra teu pouco defunto
Mas estás mais ancho que estavas no mundo
É uma cova grande pra teu defunto parco
Porém mais que no mundo te sentirás largo
É uma cova grande pra tua carne pouca
Mas a terra dada, não se abre a boca
É a conta menor que tiraste em vida
É a parte que te cabe deste latifúndio
É a terra que querias ver dividida
Estarás mais ancho que estavas no mundo
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Documentário produzido pela TV Bandeirantes com cérebres entrevistas com os principais comandantes do Movimento Zapatista.

